Análise - Assassin’s Creed Unity – Uma Revolução Sempre Tem Altos e Baixos!

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Assassin’s Creed Unity foi o jogo que mais esperei esse ano, e também o único que peguei em pré-compra. Com a promessa de reacender a série, a Ubisoft conseguiu fazer um ótimo trabalho, entregando boa parte daquilo que prometeu. Mas, assim como na Revolução Francesa, nem tudo ocorreu bem em Unity.

** Imagens contém alguns spoilers **

UM EZIO FRANCÊS

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Logo no começo do jogo, já percebemos que o novo protagonista,  Arno Victor Dorian, tem o jeitão irônico e gracioso de Ezio Auditore da Florença, protagonista de Assassin’s Creed II, Brotherhood e Revelations. Há também alguns pontos na personalidade de Arno que lembram Edward Kenway, protagonista de Black Flag.
 Mas, isso não significa que Arno não tem sua própria personalidade. Tudo começa quando ele ainda é uma criança e é deixado na casa de François de La Serre por seu pai, que promete voltar mais tarde. Mas nunca volta. Arno é criado com François e sua filha, Élise de La Serre. Na verdade, de La Serre é um Grão-Mestre Templário, e o pai de Arno, um Assassino. Mas, isso não é um grande problema. Há um plano de uma união pacífica entre as duas Ordens… Que obviamente não dá certo.

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Após a morte do senhor de La Serre, Arno e Élise seguem os passos de seus respectivos pais, e a história do Assassino gira em torno de redenção, enquanto a de sua “paixão” gira em torno de vingança.
Um dos pontos positivos do enredo é que a Ubisoft realmente nos trouxe um Assassino, e não um índio que usa o Credo ou um pirata fanfarrão que só pensa em dinheiro. Tá certo que os dois últimos realmente aceitaram o Credo no final do jogo, mas… no final do jogo! Sejamos sinceros: Arno não foi um Assassino tão dedicado quanto Altair ou Ezio, mas uma coisa que ele sabia fazer era seguir as ordens de seus superiores do Conselho dos Assassinos. Nisso, querendo ou não, ele vai cada vez mais se aprofundando na ideologia Assassina. Como sempre, no final do game ele dá aquele up no Credo, mas, enfim… já foi melhor que Connor e Edward juntos.
Quanto a história por um todo, ela é boa e revive aquele sentimento Assassino, mas Arno ainda não chega aos pés de Altair ou Ezio. Talvez num próximo jogo, pois algumas perguntas ficaram sem respostas! Vou adicionar ainda que, muita gente quase chorou no final de Unity, mas eu não fiquei nem de perto tão impressionado quanto no final de Assassin's Creed IV xD


UM PARKOUR DIGNO DA FRANÇA


Já que temos a França como o berço do Parkour, nada mais justo do que fazer juz a isso, não? A Ubisoft remodelou o jeito de andar pela cidade, tanto na hora de subir em prédios quanto na hora de descer dos mesmos. Tá certo que os movimentos ficaram menos realistas, com vezes que parece que Arno dá uma certa “planada” pra alcançar um lugar, mas ficou bem bacana.
Descer está mais organizado, só apertar R2 + O para que Arno realize uma descida controlada. Isso é muito bom, pois além de facilitar as coisas, não há mais tantas carroças de feno como antigamente.
Demora um pouco para acostumar com a nova fórmula e ás vezes até me pareceu que ela se enrosca sozinha, fazendo ao contrário do que você mandou, mas ela funciona bastante bem e é a melhor movimentação de todos os jogos até agora!


ESQUEÇA A PORRADARIA!

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Após o sistema de combate de Assassin’s Creed III e IV, ninguém acreditava que a Ubisoft mudaria a fórmula que nos permitia derrubar cinquenta inimigos tranquilamente. Mas mudou!
Além do próprio estilo de luta do personagem ter mudado, os inimigos estão mais inteligentes e mais fortes. Eles desviam, bloqueiam e até mesmo atacam em grupos. Obviamente ainda existe aquela história do inimigo esperar você matar o companheiro pra depois te atacar, mas está menos frequente. No começo do jogo, você irá apanhar bastante para os guardas, e mesmo após totalmente evoluído, os guardas de maior nível irão lhe dar trabalho!
Há ainda uma mudança na hora de trocar de itens. Do lado direito temos as bombas, do esquerdo, as armas de longa distância. Embaixo, temos a Habilidade que você deve comprar, e ainda há um ícone mostrando sua arma. Mas você não pode alterá-lo. Não existe mais a possibilidade de lutar com a Hidden Blade como nos outros jogos. Arno automaticamente entrará em posição de ataque e sacará a arma quando necessário, e sempre usará a Lâmina Oculta num assassinato furtivo. 


UM ASSASSINO FURTIVO


Um ponto bem bacana foi a parte Stealth do jogo, afinal, esse é (ou deveria ser) o núcleo de Assassin's Creed. Há três novidades que contribuem para uma jogabilidade mais furtiva: possibilidade de andar agachado, uma adição tardia para a série, mas, antes tarde do que nunca, não? Isso contribui para uma aproximação mais cautelosa dos inimigos, podendo não ser visto ás vezes mesmo estando indo em direção a um guarda de lado, o que lembra um pouco Metro Last Light. Vale ressaltar também que seus passos podem alertar os inimigos, principalmente se estiver usando uma bota pesada. 
A segunda novidade é o último ponto visto. Na imagem ao lado, vocês podem observar que existe um "fantasma" meu na minha frente. Aquele é o último lugar onde os inimigos alertados me viram antes de eu me esconder no banco. É algo realmente bacana. Ainda, eu gostaria de comparar um pouco Unity com AC3. Vamos supor que Connor tenha sido visto e você tenha conseguido se esconder. Caso você saia da carroça de feno ou do meio da vegetação, por exemplo, os inimigos vão correr pro lugar onde você está, como se soubessem que você estava "visível" de novo. Em Unity, eles irão investigar o último lugar em que você foi visto, não importa se você não está camuflado em outro canto. Outra coisa que também acontecia em Black Flag era que, quando você era alertado mas estava escondido numa esquina de parede ou atrás de alguma caixa, assim que o guarda chegasse perto, Connor já entraria em posição de ataque. Em Unity, Arno pode matar furtivamente os guardas que forem se aproximando mesmo se tiver sido visto. Mas isso só serve para um ou dois inimigos, afinal eles irão te ver novamente e ai sim entrará em posição de ataque. 
A terceira novidade fica por conta da Lâmina Fantasma, uma arma que atira lâminas sem fazer barulho. Temos tanto lâminas normais quanto lâminas ensandecidas. E cara, essa arma funciona muito bem e é uma delícia de usar!
Um extra! Inimigos não fazem mais parkour atrás de vocês, agora isso ficou restrito aos Assassinos mesmo xD

A BELA PARIS!


A beleza e fidelidade que a Ubisoft deu para a Paris de Assassin's Creed Unity é inegável. Peguem a Catedral de Notre Dame de exemplo, em que até mesmo surgiram imagens na internet comparando game com realidade. É simplesmente fenomenal! Desde os primeiros Assassin's Creed a Ubisoft capricha muito no desenho dos cenários, e com Unity não foi nem um pouco diferente. 
Os rostos deram uma boa melhorada. Nos antigos eles eram bons, mas dava uma impressão de meio sem vida. O foco da produtora ainda é na criação dos cenários, mas a expressão facial dos personagens melhorou bastante. 
E a bastante coisa há contar sobre a Paris daquela época. Existem agora as side quests chamadas Histórias de Paris, onde Arno aceita contratos para ajudar esse ou aquele, ou resolver alguns mistérios. Tudo teve inspiração em fatos da época. Acreditem, é muita coisa!

E é claro que não podemos esquecer das pessoas que dão vida a cidade. Cara, é muita gente na rua. Deem uma espiada na imagem ao lado. Muitas missões tem essa vasta multidão para Arno usar a seu favor, se escondendo dos seguranças. Fala ai, quem acha alguém no meio dessa multidão toda?! A população realmente oferece ótimas oportunidades para o stealth. 
E, enquanto rola a Revolução, alguns estão meio "desligados", como a Ubisoft falou que estariam, como esse senhor ai amassando uva xP








LE CAFÉ THEATRE


E no meio dessa imensa Paris, há um lugar reservado para você, para os seus cuidados: o Café Theatre. Funciona basicamente como a Homestead de AC3 ou como os Esconderijos Assassinos de AC: Revelations. No Café, Arno pode completar missões e reformar o local para aumentar sua renda (e quanto antes puder fazer isso, melhor. Eu, por exemplo, estou com mais de 100.000 Livres!), treinar em várias habilidades diferentes, ver Cartas da Élise, entre outras. É importante destacar a Armadura do Mestre Assassino Thomas de Carneillon, guardada a 18 chaves! Para adquiri-la, é necessário resolver 18 Enigmas de Nostradamus, charadas que só farão sentido se você for louco pela história de Paris! Isso é um ponto negativo, já que, além de serem difíceis, acabam sendo extremamente cansativos por conta da quantidade. Além do mais, a armadura não vale muito a pena. 


ASSASSINO CUSTOMIZÁVEL



Unity chega com características de jogos RPG, permitindo que o jogador mude as vestimentas de Arno, customizando a cabeça, peito, antebraços, cintura e pernas, além de podermos trocar as cores das roupas (compradas apenas através de Pontos de Credo, um novo esquema de pontuação baseado em suas ações ligadas a Ordem dos Assassinos) ou vestir uma Vestimenta Lendária, que são as roupas de Assassino do Altair, Ezio, Connor, Edward, Thomas de Carneillon, Mestre Bellec, a Armadura Templária do Shay e as Vestimentas de Mestre do Arno. As roupas dos protagonistas dos jogos anteriores são adquiridas através do aplicativo Iniciados, que gera um level de acordo com seu desempenho em jogos anteriores da saga e em Unity; ou no aplicativo para tablets Assassin's Creed Nomad
É possível também alterar as armas de Arno nas categorias: Uma Mão, Longa, Pesada, Pistolas e Rifles. Algumas delas podem ser logo compradas, mas algumas precisam de certos pré-requisitos, assim como qualquer outro comprável. 
Existem também as Habilidades, compradas com Pontos de Sincronização, ganhos após completar as Memórias ou colecionando nas Missões Cooperativas. As Habilidades são divididas em quatro categorias: Furtividade, Saúde, Alcance e Corpo a Corpo. Algumas coisas bacanas, como poder se esconder em bancos ou usar uma pistola, só podem ser feitas através da compra de Habilidades, então fique atento!


NÃO SE FAZ UMA REVOLUÇÃO SOZINHO!


Imagem da página do Facebook Ordem dos Assassinos!
A grande surpresa de Unity foi abandonar o Multiplayer Competitivo para dar lugar ao Modo Cooperativo. As missão são divididas em dois tipos: Missões (genial!), onde até quatro jogadores (ás vezes menos) devem completar certo objetivo. Nela, é possível coletar os Pontos de Sincronização e ganhar Vestimentas exclusivas; e os Assaltos, onde a galera deve se unir para roubar um artefato sem ser visto, aumentando assim a recompensa. 
Eu estava bastante cético quanto a esse Multiplayer, mas ele é bem bacana. O pessoal normalmente joga certinho e é possível ter uma partida legal. 
Mas, apesar de tudo, eu sinto que deve enjoar fácil. Claro que jogar falando com um amigo no headset deixa as coisas bem melhores, mas não é sempre que você vai pegar o jogo e cooperar com estranhos. Perde o clima, entende?
Acredito eu que um modo Competitivo seria interessante, pois aumentaria o tempo de vida útil do jogo e, cara, como seria fantástico matar a galera online com esses novos movimentos de parkour!! 

UMA MARATONA ATRÁS DE COLECIONÁVEIS


Unity é com certeza o capítulo da série com mais Atividades Secundárias disponíveis. Começando pelos colecionáveis, nós temos Baús, Insígnias e os próprios Pontos de Sincronização já ditos, encontrados somente em Missões Co-Op.
No quesito missões, temos as Histórias de Paris e os Enigmas de Nostradamus, também já citados acima. Fora esses, temos Assassinatos Misteriosos, onde Arno deve seguir um tanto de pistas até encontrar o suspeito, indo do instinto e sagacidade do jogador (esse, diferente dos de Nostradamus, é bem legal e possível de se resolver!).
Há também os Eventos de Multidão, eventos aleatórios que aparecem no seu mapa e dão uma chance de Arno ajudar a população dando dinheiro aos mendigos; protegendo civis de bandidos ou derrubando ladrões. 
O que pode causar um pouco de raiva para aqueles que buscam o 100% e o troféu de Platina são os Colecionáveis. As Insígnias não aparecem no seu mapa após a Sincronização em um Panorama, você deve chegar perto de uma para que ela surja no minimapa. Quanto aos baús, os destrancados aparecem e os trancados alguns são no mesmo esquema das Insígnias. Além de que, por serem trancados, o jogador precisará no mínimo da Habilidade de Arrombamento Nível 1, sendo que os baús vão até o Nível 3. Recomendo que upem essa Habilidade o quanto antes, porque ela também será útil para abrir caminhos opcionais em missões. 



PENSE BEM!


Outra novidade que a Ubisoft prometeu e cumpriu foi a de dar mais liberdade ao jogador. Na grande maioria das missões, não existe mais a dessincronização por alertar o inimigo. Cabe a você bolar uma estratégia para escapar (lutar com vários inimigos ao mesmo tempo não rola!). Cada missão possui vários caminhos que podem ser seguidos a fim de uma aproximação mais cautelosa de seu alvo. Há também Oportunidade de Distração, Invasão, Ajuda e Assassinato. Por exemplo, numa determinada missão, eu tive a opção de matar meu alvo de uma maneira comum ou de roubar algumas garrafas de vinho e envenená-la! Em outra, ainda, ao ajudar um comerciante de fogos de artifício, ele garante que seus produtos vão distrair meu alvo, dando uma boa oportunidade de se aproximar em silêncio. 

ANOMALIAS TEMPORAIS


Como a Ubisoft já tinha revelado em um trailer, Unity traz uma nova Gameplay no tempo presente. O personagem que revive as memórias de Arno é ninguém mais ninguém menos que você! Isso porque o cara é chamado de Iniciado, e está sendo usado em favor dos Assassinos, que lutam contra a Abstergo. Seu objetivo é vasculhar as memórias de Arno para encontrar um Grão-Mestre Templário que é também um Sábio!
Nesse contexto de luta contra a Abstergo, temos que ás vezes a empresa chega perto de te encontrar na simulação de Paris, e para desviar dos Templários, Arno é mandado para outras épocas importantes da história de Paris! 
Depois de fugir da Abstergo, há as missões Hélix, um outro tipo de Missão Secundária que te manda de volta a essas épocas diferentes para coletar dados e resgatar Assassinos que ficaram "presos" na simulação! É bem bacana!


BUGS?


Há, eis um assunto que vocês estavam ansiosos, não? Bom, o fato é que Assassin's Creed Unity, assim como todos os outros jogos da série, tem bugs... e sim, alguns bugs bem chatos! Não tenho muito o que reclamar, durante toda minha jogatina, me deparei com poucos problemas. Uma única vez Arno ficou preso no ar, sem conseguir se movimentar. 
Sim, Shaun continua engraçadinho xD
Pessoas, ás vezes, apareciam do nada na minha frente, e uma vez até mesmo encontrei uma em cima do telhado! 
Mas, a grande questão é que grande parte das pessoas que estão criticando o jogo nem sequer o jogaram, e estão indo na onda do pessoal do PC, que aí sim o jogo foi realmente mal otimizado! Mas, nos consoles, principalmente no PlayStation 4, o jogo está rodando tranquilamente!



OBS.: Vale constar que a Ubisoft já lançou 3 patchs para corrigir os bugs, e a coisa já está muito melhor! A produtora também lançou um comunicado oficial esses dias dizendo que, para agradecer aos jogadores pela paciência e feedback, a DLC Dead Kings estará de graça para TODOS! Aqueles que compraram o Season Pass ou a Gold Edition, para compensar, poderão escolher um jogo da Ubisoft gratuitamente! 



NOTA: 8,7




Bom, então é isso! Vou me misturar aqui entre a galera de Paris e ir embora! Se já jogou o game, comente aí embaixo o que achou! Se não, comente também! xD

Daqui a alguns dias sai a análise de Far Cry 4, cuja campanha eu já teria terminado se não tivesse tanta coisa pra fazer naquele jogo *o*

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2 comentários:

  1. Cara, a sua resenha foi a melhor que vi até agora! Parabéns. Ganhou um fã.

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